Na descoberta de Lynda Barry

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Noa:      Mas que calor que faz.      Hoje as temperaturas atingiram os 45 °C. As casas não estão preparadas nem para verões quentes, nem para invernos gelados.      Hoje abri o livro da Lynda Barry, What It Is . Na primeira página dizia: "Do you have a friend no one else can see?" ("Tens um amigo que mais ninguém consegue ver?")        Bem sei que não é o teu caso, para nós as duas. Mas, para quem lê estas cartas, é como se fosse.      Já te vejo a torcer o canto da boca quando algo não te agrada, mas temos que nos render a esta dura realidade. Nesta realidade em que eu tenho razão. 😉.      Eu não posso deixar de achar a Lynda divertida. Com aqueles desenhos dela.      Uma vez li o comentário de uma senhora que dizia ter comprado o livro para oferecer a alguém. Ouvia as pessoas falarem muito bem dele. Mas... com aqueles desenhos?      A questão é que os livros d...

Quando o Silêncio Me Escreve

 

Cartas a Noa de Lini Chibi de bolso

Querida Noa: 


    Hoje sentei-me para escrever na esplanada do café.

    À minha frente estavam o mar, a praia vazia e a maresia que chegava devagar com o vento.

    Olhei o horizonte e, durante vários minutos, não aconteceu absolutamente nada.

    A caneta ficou parada sobre o papel.

    Nem uma palavra.

    Nem um sopro.

    Nem um rabisco.

    Nem uma ave.

    Só o silêncio.

    E foi então que pensei: Talvez o silêncio também escreva. Talvez existam dias em que ele precise de chegar primeiro para depois dar lugar às palavras.

    Vivemos rodeados de ruído.

    Notificações.

    Conversas.

    Notícias.

    Listas de coisas para fazer.

    Telemóveis.


    Por isso hoje sentei-me ali apenas para ouvir o silêncio.

    Será que o silêncio também fala?

    Às vezes é tão difícil ouvir a nossa própria voz que acabamos por acreditar que ela desapareceu.

    Mas ela continua lá.

    À espera que alguém lhe dê um pouco de silêncio.

    Talvez hoje não precises de encontrar respostas.

    Talvez baste ficares contigo durante alguns minutos.

    Respirar.

    Olhar o horizonte.

    Ouvir o vento.

    As palavras acabam sempre por escorregar para as linhas vazias que as acolhem.

    E, quando regressam, trazem qualquer coisa que o barulho nunca conseguiu dizer.


Com carinho,

Lini 💗😉                                


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